Por Flávio Rezende*
Estou de férias com a família, curtindo espaços variados e observando as pessoas em ambientes e situações um pouco diferentes do meu habitat natural. O contato com a esposa Deinha e com o filho Gabriel, além de Mel que está morando presentemente em ambiente aquático sem igual, proporciona uma série de contentamentos interiores que me causam especial alegria.
Como canceriano amo estar com a família sob minhas asas, vendo o mundo através dos olhos deles e, interiormente, muito satisfeito em poder estar compartilhando do planeta que ora habitamos com os que elegi navegar nesta nave mãe Terra, procurando evoluir quando fazemos escolhas sadias e, quando perdoamos e refletimos sobre erros e equívocos que inevitavelmente surgem, visto que ainda estamos aprendendo e assimilando comportamentos adequados, para que devidamente prontos e conscientes do nosso papel verdadeiro, possamos nos entregar espiritualmente à luz, que nos conduz naturalmente para o que sempre esteve ai, mas que infelizmente não percebemos totalmente, só intelectualmente: nossa natureza divina.
Tenho procurado compreender de maneira cada vez mais plausível as afirmações dos grandes mestres de que nós mesmos somos Deuses, que nada do que está fora representa progresso algum, que só o mergulho sincero no eu mais profundo, vai finalmente mostrar a realidade de nossa existência, o sentido de tudo, a chave do mistério.
Por mais que raciocine sobre tudo que leio, por mais êxtases que experimento nas caminhadas fantásticas que realizo pela amada Terra, por mais meditações, reflexões e incursões por dentro de mim mesmo, confesso que fico confuso e me sinto incapaz de entender verdadeiramente a nossa divindade.
A identificação que temos com o corpo é tão arraigada, os jogos da mente são tão sutis, as muitas falas, teorias, definições, esclarecimentos, vindos de fontes de alto nível são tantas, que abro meu coração para com certa tristeza, revelar a meus leitores que não consigo de maneira cabal e transformadora, entender que EU SOU DEUS e, assim, compreender como tudo é, descobrir finalmente minha natureza eterna, meu atma, o sentido de tudo, a unicidade.
Ignorante então sigo repetindo todos os dias o gayatri mantra, uma oração hindu: “rogamos a Ti que ilumine nosso intelecto, dispersando nossa ignorância, assim como a esplendorosa luz do sol, dispersa toda a escuridão”. O hindu acredita que todos os nossos problemas são decorrentes de nossa ignorância espiritual, por isso apela para que Deus, a Mãe Divina, jogue luz nesta escuridão tornando-o verdadeiramente um ser humano.
Quando viajamos percebemos de maneira mais plural a beleza do nosso planeta. Hoje estou em São Paulo e fui caminhar. Vi pessoas sofrendo no frio, drogados jogados, comerciários chegando para o trabalho depois de longas jornadas em ônibus, trens e metrô, camelôs montando suas tendas com um olho nos produtos e o outro nos fiscais, vi a engrenagem acelerada de uma grande cidade com muitos sinais luminosos, sirenes, toques de celulares com músicas apelativas, remanescentes da vida noturna em efusivos grupos, torcedores já fantasiados para os jogos da noite e, mergulhado em pensamentos vários, percebi no meio da chuva, do frio, dos humanos em situações diversas, uma árvore, completamente feliz, vibrando com um leve vento, um Ipê roxo, arejando meu coração com o toque da natureza.
Voltei para casa feliz, mais consciente que a busca interior pela compreensão de nossa natureza espiritual está escrita em todos os cantos. Está no ventre de Deinha com Mel. Está em Gabriel tocando guitarra ali na sala. Está na dinâmica da cidade grande. Está nos ensinamentos de Sai Baba, Krishna, Jesus, Kardec, Riva, Vivekananda, Budha e tantos outros e, está, principalmente dentro de mim.
Continuarei tentando entender o sentido real de nossa vida. Saber existencialmente como tudo é, pois quando realmente for, serei um verdadeiro contribuinte de um universo mais feliz.
Por enquanto, continuarei atento aos sinais e fechando os olhos para que da escuridão atual, surja à luz real, pois quando a ignorância for eu estarei e, só neste momento, perceberei divinamente, que eu sempre estive presente.
É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (
escritorflaviorezende@gmail.com)